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"Grandes trabalhos não são realizados com força, mas, perseverança".

(Samuel Johnson)




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Lendas brasileiras

COMO APARECEM OS BICHOS

         Os Maués dizem que há muito tempo atrás no mundo só havia pessoas e não tinha animais.
         Um belo dia a tribo dos Maués planejou fazer uma festa e até nomeou um dos índios para receber os convidados. Este índio se chamava Hêté-nacop, ficou no meio do caminho para guiar os outros índios. Quando chegou sua noiva. Ele lhe prometeu festão e comida à beça.
- Olhe, disse-lhe a noiva, estou meio adoentada e não quero festa.
         Tudo mentira. O que a noiva estava planejando era chegar ao local da festa antes do noivo para poder namorar outros rapazes. Para isto, fez-se muito bonita: usou urucum que é semente de planta de onde sai tinta para pintar o rosto. Quanto aos cabelos, achou um jeito de esfregar neles frutas para ganharem brilho. E mandou-se para a festa antes do noivo chegar. Porém o noivo foi avisado do comportamento feio da moça, mas o índio não acreditou e afiançou que sua noiva estava doente.
         Na certa quem estava lá era sua cunhada, parecida com a noiva. O informante insistiu na declaração. Então o noivo foi depressa ao lugar do baila e para isto transformou-se em pássaro veloz. O que encontrou ele? Adivinharam: sua noiva numa dança alegre. O índio, furioso, transformou-se em gente, disse aos convidados no meio do caminho: aviso que nesta festa vai haver grande mudança no que é vivo.        E foi pedir à chuva, ao raio, ao trovão para lhe fazerem um favor. Caiu então na floresta uma tremenda tempestade e toca o noivo a bater em todo mundo. Deu uma boa punição a noiva e lhe puxou o narizinho bem puxadinho. E não é que a bela índia transformou-se em tamanduá-bandeira? O índio, que era seu parceiro na dança, também teve o nariz puxado, transformando-se em anta com o focinho comprido. Um índio, que era muito feio, virou morcego e saiu voando.
         Uma velha tagarela virou mutum. Também outros viraram periquito, saracura, cobras e lagartas. Sabem como nasceu o jacaré? Nasceu de um índio que abriu uma boca cheia de dentes. Os convidados, em vez de gente, eram um macaco preguiça, a onça, o urubu, o macuco, e nem sei mais quem. Sem falar que uma índia tornou-se capivara, outra gafanhoto, outros sapos, borboletas e grilos. Uma velha que estava ralando guaraná, quando viu a coisa ficar feia, fugiu com a cuia e pedra de ralar e o guaraná. Mas não houve apelação: a cuia lascou-se e virou casco de jabuti, enquanto o guaraná passou a ser o seu coração. E esta é a origem dos bichos do mar e da terra, acreditem ou não.

Lenda adaptada do livro "Como nasceram as estrelas -  doze lendas brasileiras"  Clarice Lispector.  Editora Nova Fronteira.


De acordo com o texto, responda as questões abaixo:

1. Por que a noiva de Hêté-nacop disse-lhe que estava doente no dia da grande festa? 

2. Por que Hêté-nacop decidiu provocar “grande mudança em quem é vivo”? 

3. O índio submeteu as pessoas da festa a grandes transformações. Que transformações você achou mais interessante?

4. É possível definir, com exatidão, quando teria acontecido a história narrada? Justifique. 
5      Observe que na lenda foram destacados alguns substantivos. Escreva-os abaixo destacando- os quanto ao gênero, número e grau.

Feminino=
Masculino=

Plural=
Singular=

Aumentativo=
Diminutivo=

5. Supondo que na festa foram convidados 546 índios e 487 índias. Quantas pessoas no total tinha na festa? 

6. Do total de indígenas da festa 368 foram transformados em animais de quatro patas. Quantas patas ao todo tinham os quadrúpedes? 

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